domingo, 20 de maio de 2012

Atestado de velhice precoce

Aí você ouve uma conversa entre uma garotinha de 5 anos de idade e sua mãe, e percebe que você está ficando velha.

- Mãe, me dá um iPad?
- Mas querida, você sabe o que é um iPad?
- Sei ué, é um tablet.

Putz. Cinco anos de idade, nascida no ano de 2007, um ser ainda tão recente. Eu aqui, com 17 anos de idade achando um absurdo que uma criança desse tamanho queira um tablet. Na idade dela um dos meus sonhos de consumo era uma caixa de lápis de cor da Faber Castell (aquarelável, por favor, afinal sou uma artista) com 36 ou 48 cores. Nunca tive. Até hoje, o máximo que ganhei foi a de 24 cores e tive que me contentar com essa realidade.

Já me sinto tão retrô, quadrada, "censurando" a atual juventude (juventude dos anos 2000). Acho até divertido quando me pego usando termos como "na minha época..." e vejo que sou diferente, de um século diferente. Sou da década de 90, mais respeito, por favor.

A única coisa que me preocupa nessa sensação grisalha tão tenra é que vejo que a cada dia a juventude se sente envelhecendo mais rapidamente. Meus pais já passaram por esse momento, meus avós também, meus bisavós. Mas é que a sensação é de que, de geração em geração tudo vai acontecendo mais intensamente e as pessoas vão sentindo as mudanças nas pessoas cada vez mais. Meus pais não deveriam ver nada de errado nos jovens quando tinham 17 anos, viam quando chegavam aos 30. Meus bisavós, então, se indignavam aos 50 quando viam que a geração do sexo, drogas e rock'n'roll eram seus primogênitos transformados.

Daqui a pouco ninguém vai achar esquisito meninas de 10 anos cheias de maquiagem, crianças extremamentes consumistas, meninos exibindo seus sapatos e roupas de marca e até lá eu já estarei uma velha bem ranzinza e indignada como sempre. Provavelmente antes dos 25.

Isadora Barcelos